ABNT NBR 13714: Guia de Hidrantes e Mangotinhos em Condomínio
Atualizado em · 8 min de leitura
A ABNT NBR 13714 define os sistemas de hidrantes e mangotinhos de combate a incêndio. No condomínio, isso significa abrigos completos e desobstruídos, reserva técnica de incêndio exclusiva, bombas testadas todo mês e mangueiras inspecionadas e submetidas a ensaio hidrostático a cada 12 meses (NBR 12779), condições verificadas na vistoria do AVCB.
O que é a ABNT NBR 13714 e quando o condomínio precisa de hidrantes?
A ABNT NBR 13714 é a norma brasileira que define os sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio: tipos de sistema, componentes, vazões, reserva de água e requisitos de manutenção. A obrigação de instalar o sistema vem da legislação estadual de segurança contra incêndio e das instruções técnicas do Corpo de Bombeiros de cada estado. Em São Paulo, por exemplo, a IT 22 remete à norma, e a tabela de exigências do regulamento estadual inclui hidrantes em edifícios residenciais a partir de 750 m² de área construída ou 12 metros de altura. Os critérios mudam de estado para estado.
A norma organiza os sistemas em tipos, conforme a ocupação e o risco:
- Mangotinho (tipo 1): mangueira semirrígida enrolada em carretel, com esguicho acoplado. Pode ser operado rapidamente por uma pessoa só, para conter focos iniciais.
- Hidrante com saída de 40 mm (tipo 2): o padrão dos edifícios residenciais e de escritórios de menor risco. Usa válvula angular e mangueiras de lona, que precisam ser estendidas antes do uso e operadas em dupla.
- Hidrante com saída de 65 mm (tipo 3): reservado a edificações de maior porte e risco, como depósitos e áreas industriais.
| Abrangência | Norma ou legislação | Exigência e aplicação no condomínio |
|---|---|---|
| Brasil | ABNT NBR 13714:2000 | Tipos de sistema, componentes, vazão, pressão e reserva técnica de incêndio (RTI). |
| Brasil | ABNT NBR 11861:1998 | Especificação das mangueiras de incêndio por tipo e pressão de trabalho. |
| Brasil | ABNT NBR 12779:2009 | Inspeção periódica e ensaio hidrostático a cada 12 meses em todas as mangueiras. |
| Brasil | Lei Federal nº 13.425/2017 (Lei Kiss) | Diretrizes gerais de prevenção e combate a incêndio e desastres, com fiscalização pelos bombeiros e municípios. |
| Brasil | Código Civil (Lei nº 10.406/2002, art. 1.348) | Dever do síndico de manter as partes comuns e os serviços de segurança operacionais. |
A lista acima não é exaustiva. Cada estado tem instruções técnicas do Corpo de Bombeiros (como a IT 22 em São Paulo) com critérios próprios de exigência e aceitação do sistema; confirme as do seu estado.
Quais componentes precisam estar dentro de cada abrigo?
O abrigo de hidrante, a caixa vermelha nos halls de circulação, não pode virar depósito de material de limpeza nem de objetos pessoais. A integridade dele é conferida pelo Corpo de Bombeiros na vistoria do AVCB.

Num abrigo de hidrante de 40 mm, os itens abaixo devem estar presentes, limpos e prontos para uso:
- Válvula angular: de latão, com saída de 40 mm e adaptador de engate rápido.
- Mangueira de incêndio certificada: em geral até dois lances de 15 metros, com uniões de engate rápido nas duas pontas e a marcação do último ensaio.
- Esguicho regulável: permite alternar entre jato sólido, de longo alcance, e neblina, que resfria o ambiente e protege quem combate o fogo.
- Chave de mangueira: ferramenta para conectar e apertar as uniões com firmeza.
Mangueiras de incêndio: tipos e o ensaio hidrostático anual
A mangueira é o componente mais vulnerável do sistema. Mesmo guardada sem nunca ter sido usada, a borracha interna resseca com o calor e o tecido externo se degrada nas dobras ao longo dos anos.
A especificação segue a ABNT NBR 11861:
- Mangueira tipo 1: destinada a edificações residenciais, com pressão de trabalho de 980 kPa (10 kgf/cm²).
- Mangueira tipo 2: para edificações comerciais, industriais e de uso misto, com reforço maior e pressão de trabalho de 1.370 kPa (14 kgf/cm²).
Para garantir que a mangueira não rompa na hora em que a bomba pressurizar a rede, a ABNT NBR 12779 exige inspeção periódica e ensaio hidrostático a cada 12 meses, feito em bancada por empresa capacitada. A mangueira aprovada recebe a marcação do ensaio, com data e identificação do relatório.
Bombas de incêndio e a reserva técnica de incêndio (RTI)
Em edifícios altos, a gravidade não garante a pressão necessária no hidrante mais desfavorável, geralmente o do último andar. Por isso o sistema conta com conjunto de bombas dedicado:
- Bomba principal de incêndio: de alta vazão, com circuito elétrico exclusivo (ou motor a diesel). Liga automaticamente por pressostato quando um hidrante é aberto e a pressão da rede cai.
- Bomba jockey: de baixa vazão, compensa pequenas perdas e microvazamentos e evita que a bomba principal ligue sem necessidade.
Todo o sistema é alimentado pela reserva técnica de incêndio (RTI), um volume do reservatório reservado exclusivamente para emergência. A saída de água de consumo fica numa cota acima da saída de incêndio: mesmo que o consumo esvazie a parte de cima, a RTI permanece intocada no fundo. Isso precisa ser lembrado na limpeza da caixa d'água, quando o reservatório é esvaziado e o prédio fica temporariamente sem a reserva.
O registro de recalque na calçada: a conexão dos bombeiros
Na calçada em frente ao condomínio, ou no muro de acesso, fica uma caixa com tampa vermelha marcada "Incêndio". Ali está o registro de recalque, com válvula de retenção e engate de 65 mm.

É a porta de entrada das viaturas do Corpo de Bombeiros: se a RTI se esgotar durante um incêndio grande, a viatura conecta a mangueira nesse ponto e bombeia água para as prumadas de hidrantes de todos os andares.
O zelador deve inspecionar a caixa de recalque todo mês. É comum o furto do adaptador e do tampão de latão para venda como sucata, o que deixa o tubo exposto a lixo, terra e folhas. Registro entupido ou sem tampa inviabiliza a injeção de água e é motivo de autuação na vistoria do AVCB.
Rotinas e periodicidades de manutenção do sistema de hidrantes
A manutenção dos hidrantes entra no programa de manutenção da NBR 5674, dividida entre a zeladoria e empresas especializadas em sistemas de incêndio.
| Periodicidade | Responsável | Procedimentos | Objetivo |
|---|---|---|---|
| Semanal | Zeladoria | Verificação visual dos abrigos, conferência de lacres e vidros e inspeção externa da caixa de recalque. | Evitar vandalismo, garantir desobstrução e coibir furto de peças de latão. |
| Mensal | Zeladoria ou empresa especializada | Teste de partida das bombas principal e jockey, conferência dos manômetros e do nível da RTI. | Evitar travamento por falta de uso e garantir partida imediata. |
| Semestral | Zeladoria ou brigada | Inspeção visual completa das mangueiras, do acondicionamento e abertura manual das válvulas angulares. | Identificar mofo, trincas e válvulas emperradas. |
| Anual | Empresa especializada | Ensaio hidrostático de todas as mangueiras (NBR 12779), aferição de manômetros e revisão geral das bombas. | Manter o sistema conforme a NBR 13714 para a renovação do AVCB. |
Hidrantes, iluminação de emergência e laudo de estanqueidade de gás costumam ser conferidos na mesma vistoria. Vale alinhar os vencimentos dos três para não renovar o AVCB com um deles pendente.
Quem paga o sistema de hidrantes: proprietário ou inquilino?
As despesas seguem os artigos 22 e 23 da Lei do Inquilinato (Lei Federal nº 8.245/1991):
- Despesas ordinárias (condomínio, repassáveis ao inquilino): ensaio hidrostático anual, reposição de esguichos, vidros dos abrigos e mangueiras reprovadas, e lubrificação de válvulas. São custos de conservação contínua.
- Despesas extraordinárias (proprietários, via fundo de reserva ou cota extra): troca da prumada por corrosão generalizada, compra de bombas novas e obras de impermeabilização ou ampliação da reserva técnica de incêndio.
Inspeção mensal do abrigo de hidrante, passo a passo
Procedimento mensal de inspeção do abrigo de hidrante
Verificar acesso e sinalização
Confirme que o abrigo está desobstruído e que a placa de sinalização está visível.
Abrir a porta e conferir o fechamento
A porta deve abrir sem emperrar. O abrigo nunca deve ter cadeado; use trinco simples ou lacre plástico de rompimento fácil.
Inspecionar a válvula angular
Observe se há gotejamento na rosca ou no volante. O volante deve estar totalmente fechado e o adaptador firme.
Examinar as mangueiras
Confirme que estão limpas, secas, bem acondicionadas e com a marcação do ensaio hidrostático dentro do prazo de 12 meses.
Conferir os acessórios
Verifique se esguicho e chave de mangueira estão no suporte dentro do abrigo, sem peças faltando.
Fechar e registrar
Feche a porta, limpe o visor e registre a data e o andar inspecionado no histórico de manutenção.
Checklist de auditoria do sistema de hidrantes
Inspeção nos abrigos de hidrante e mangueiras
- Abrigos com acesso desobstruído e sem cadeado
- Mangueiras com marcação do último ensaio hidrostático dentro dos 12 meses
- Mangueiras acondicionadas em zigue-zague ou aduchadas, com as uniões prontas para engate
- Esguicho e chave de mangueira presentes em todos os abrigos
- Nenhum gotejamento nas válvulas angulares e adaptadores
Inspeção de bombas, recalque e reservatório
- Bomba principal e bomba jockey com o painel em modo automático
- Manômetro da rede de incêndio indicando pressão estável na faixa de projeto
- Registro de recalque com tampa íntegra, caixa limpa e tampão no lugar
- Nível do reservatório cobrindo todo o volume da reserva técnica de incêndio
- Quadro elétrico das bombas desimpedido e com circuitos identificados
Perguntas frequentes sobre hidrantes e a NBR 13714
- O condomínio pode trancar o abrigo de hidrante com cadeado para evitar furtos?
- Não. Em emergência, segundos perdidos procurando chave comprometem o combate, e abrigo trancado é motivo de reprovação na vistoria. Para coibir furto de peças de latão, use câmera no hall ou lacre plástico numerado de rompimento manual.
- Mangueira nova, que nunca foi usada, precisa de ensaio hidrostático?
- Sim, a partir do prazo previsto na NBR 12779. Mesmo sem uso, a borracha interna resseca e o tecido se degrada nas dobras, por isso a norma pede inspeção periódica e ensaio hidrostático a cada 12 meses, contados da fabricação ou do último ensaio.
- O que acontece se a mangueira reprovar no ensaio hidrostático?
- Se a mangueira vaza na lona ou a união se solta sob pressão, ela é condenada pela empresa e não volta ao prédio. O condomínio precisa comprar um lance novo imediatamente para não deixar o andar desprotegido.
- Como a reserva técnica de incêndio continua disponível se faltar água?
- A saída de consumo dos apartamentos fica numa cota mais alta do reservatório, e a da bomba de incêndio, no fundo. Quando o consumo esvazia a parte de cima, as torneiras secam, mas o volume de baixo permanece exclusivo para os hidrantes.
Fontes
- ABNT NBR 13714:2000 - Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio
- ABNT NBR 11861:1998 - Mangueira de incêndio - Requisitos e métodos de ensaio
- ABNT NBR 12779:2009 - Mangueira de incêndio - Inspeção, manutenção e cuidados
- ABNT NBR 5674:2024 - Manutenção de edificações - Requisitos para o sistema de gestão de manutenção
- Lei Federal nº 13.425/2017 (Lei Kiss) - Diretrizes gerais sobre medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres
- Lei Federal nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro) - Artigo 1.348
- Lei Federal nº 8.245/1991 (Lei do Inquilinato) - Artigos 22 e 23
- Instrução Técnica nº 22 do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo (IT 22/CBPMESP) - Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio
Quem escreveu
Equipe editorial Manu Help
Conteúdo produzido pela equipe da Manu Help com base em normas técnicas brasileiras e na operação real de condomínios atendidos pela plataforma.
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